Rompimento entre facções faz PCC caçar e matar integrantes do Comando Vermelho no Norte do país

By | October 18, 2016

guerra-pcc-cvFonte El Pais

Na penitenciária agrícola de Monte Cristo, em Boa Vista, ao menos 10 presos do CV foram mortos quando detentos ligados ao PCC arrebentaram os cadeados que separam as alas e invadiram o setor da facção fluminense. Segundo o Sindicato dos Agentes Penitenciários de Roraima, pelo menos seis presos foram decapitados e queimados, o que dificultou a identificação dos corpos. O conflito ocorreu durante o horário de visita, o obviamente mais importante e pretensamente protegido no código não escrito dos detentos, o que foi lido como mais um indicativo da divisão profunda entre as facções. Horas depois, numa prisão de Porto Velho, um motim semelhante deixou oito presos mortos. Em São Paulo, nesta segunda-feira, houve uma rebelião no presídio de Franco da Rocha, com a fuga de entre 200 e 300 detentos, sem informações sobre mortos, feridos ou indicações suficientes até agora de relação com os episódios no Norte do país.

Uziel de Castro, secretário de Justiça e Cidadania de Roraima, afirmou nesta segunda-feira que as rebeliões foram uma “determinação nacional” do PCC para que seus integrantes atacassem integrantes do CV. “Eles declararam guerra entre as facções (…) estamos percebendo nacionalmente o rompimento desse acordo entre eles.” Castro citou também rebeliões no Pará, mas a informação não foi confirmada pelas autoridades locais. Indagado sobre o racha entre as facções, o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, disse que não faria comentários “sobre grupos criminosos”, e afirmou que “não é possível se combater de forma séria e dura o crime organizado se não começarmos pelos presídios”.

A socióloga Camila Nunes Dias, pesquisadora do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo, diz que as duas facções já vinham se ameaçando desde julho em enfrentamentos pontuais dentro do sistema penitenciário. “Houve tentativas de evitar a ruptura definitiva, mas após os acontecimentos desse final e semana isso deixou de ser possível”, diz. “Os dois grupos tem uma estratégia de expansão nacional e chega um momento nesse projeto de um começa a atrapalhar o outro.”

Agora, existe o receio de que a violência se espalhe para outras unidades do sistema penitenciário – e também para as ruas. As duas facções têm presença nacional e um confronto aberto entre elas pode levar a um aumento significativo dos homicídios e da violência no país, de acordo com especialistas. “O momento é de tensão e expectativa em termos da repercussão da quebra dessa aliança”, afirma Luiz Fábio Paiva, professor do departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal do Ceará e pesquisador do Laboratório de Estudos da Violência.

Alguns dos presos do PCC teriam sido levados para unidades dominadas pela facção Amigos dos Amigos (ADA), rival do CV, o que, se confirmado, pode fomentar uma nova aliança criminosa com reflexos nas lutas territoriais por pontos de venda de droga no Rio. Já em São Paulo, o PCC não tem grupos rivais aos quais a facção fluminense possa se aliar, portanto as chances de que a violência provocada pelo fim da paz entre ambas atinja as ruas são menores, de acordo com especialistas. “É difícil saber em que medida o enfrentamento que aconteceu em Roraima e Rondônia irá se expandir para outros territórios, mas o potencial de conflito em outros Estados é enorme, tendo em vista a penetração das facções”, afirma o sociólogo Ignácio Cano, do Laboratório de Análise da Violência da Universidade Estadual do Rio de Janeiro.







2 thoughts on “Rompimento entre facções faz PCC caçar e matar integrantes do Comando Vermelho no Norte do país

  1. Felipe

    Eu mesmo sempre avisei que o pcc tramava algo por baixo do pano a muitos anos nunca me deram atenção agora aguenta.

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