Matéria da TV Globo mostra precariadade das unidades do Degase e faz críticas aos Agentes

By | February 27, 2016
Agente do Degase sem talher improvisa tampa de quentinha

Agente do Degase sem talher improvisa com tampa de quentinha

O RJTV do dia 26/03 exibiu uma matéria sobre as condições das unidades de internação de adolescentes infratores do Degase. Como é comum neste tipo de matéria, encenaram até a clássica imagem das mãos dos vagabundos para fora de um alojamento tentando parecer que está mais cheio do que de fato está.

A TV teve acesso a imagens feitas dentro do Centro de Socioeducação Gelson de Carvalho Amaral, mais conhecido como CTR, que é a porta de entrada do sistema carcerário dos adolescentes infratores, os presos desta unidade raramente passam mais de uma semana no lugar. Quando não são soltos pela benevolência da legislação são enviados para unidades de internação para que cumpram suas curtas medidas socioeducativas.

Pelo fato de ser um centro de triagem e distribuição a rotatividade de presos é muito grande e o CTR simplesmente não tem condições materiais de fornecer uniformes novos às centenas de adolescentes presos a cada semana, por isso se faltar uma camiseta pode ser que seja fornecido um agasalho.

A matéria do G1 (link no final do texto) já começa errada por chamar as unidades de internação de “abrigos”, quem tem abrigo é a prefeitura que acolhe pessoas em vulnerabilidade social, de crianças a idosos, o Degase é cadeia para adolescentes que cometeram crimes que chocam a sociedade e destroem famílias.

Um outro erro gritante aparece quando a apresentadora da ênfase ao fato de que o Educandário Santo Expedito em Bangu conta com 139 presos com mais de 18 anos “que não deveriam estar lá”. A afirmação mostra que não só a TV mas toda a sociedade não tem a menor noção da legislação ditada pelo ECA. Se o adolescente tiver 17 anos e onze meses de idade quando cometeu o crime ele tem de cumprir sua medida socioeducativa de até três anos nas dependências do Degase.

“Violência” dos agentes

O agente socioeducativo é de fato um agente prisional. Seu trabalho não difere em nada do executado pelos inspetores da Seap, os agentes fazem contagem de presos pela manhã e a noite, fazem escolta de presos para audiências e atendimento médico, controlam brigas, fugas e rebeliões. E o mais grave: assim como os inspetores da Seap, os agentes sofrem ameaças de presos e de seus familiares.

O ambiente é de total tensão, os adolescentes por conta de sua imaturidade, desafiam a autoridade dos agentes o tempo todo para se mostrarem fortes na visão de seus colegas de cela, diante deste quadro o atrito é inevitável e em todas as vezes a versão de um vagabundo vale mais do que a de um funcionário concursado, como dizem “é o poste mijando no cachorro”. O anjinhos reclamaram inclusive do uso de spray de pimenta, que só é usado em último caso, principalmente para separar brigas de facções. Uma unidade recebe uma determinada quantidade de latas de spray por ano e tem que se virar com elas, quando o spray é usado tem de ser feito um registro no livro de ocorrências, nenhum agente usa o spray para se divertir.

O agente do Degase é o patinho feio da segurança pública, pior salário, piores condições de trabalho e não tem direito ao porte de arma para se defender quando é reconhecido na rua. São os agentes e não as cadeias que mantém presos os adolescentes que você não quer encontrar na rua, estes funcionários deveriam ser valorizados, a imprensa deveria buscar saber quais são as condições de trabalho do agente e se perguntar se um trabalhador submetido a estas condições consegue fazer um bom trabalho.

Link para a matéria do G1

 







 

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